Hora-atividade: qual sua importância para os resultados da educação?

Hora-atividade: qual sua importância para os resultados da educação?

por Tania Pescarini


hora

Em muitos países com alto desempenho educacional, professores passam mais da metade do tempo de trabalho fazendo outras atividades que não lecionar em sala de aula, segundo a OCDE. No Brasil, a Lei nº 11.738, que determina, entre outras coisas, 1/3 do tempo do professor dedicado à hora-atividade, ainda não é integralmente cumprida.

O cálculo do salário por hora-aula é algo que vem caindo em desuso, já que agora o Ministério da Educação se esforça para que todos os estados da federação adotem o piso salarial nacional. A intenção, seguidas vezes reafirmada pelo MEC, é que nenhum professor receba menos que o mínimo estipulado, que hoje gira em torno de R$ 2.200 mensais. No entanto, como faltam profissionais em diversas áreas e muitos estados e municípios passam por dificuldades fiscais, ainda há quem acabe, na prática, trabalhando por hora-aula. A maioria dos profissionais nessa condição é contratada como temporária, nas redes públicas ou escolas particulares. Esse modelo de contrato não é ilegal. Porém, nações cuja educação mostra bons resultados – escolas pouco violentas, crianças e famílias satisfeitas, boas notas e baixa evasão – não costumam trabalhar dessa forma. No último relatório divulgado pelo grupo, nos países da OCDE – o que inclui quase toda a Europa e América do Norte –, os professores passam em média apenas 47% do seu tempo de trabalho lecionando em sala de aula. O restante é dedicado a diversas atividades, entre elas planejamento, correção de tarefas dos alunos, discussão com outros professores e interação com as famílias são citados como as mais comuns. Separar tempo para essas atividades faz parte de reconhecer a complexidade da profissão docente.

Segundo os dados da OCDE, países latino-americanos, como Chile e Colômbia, se destacam dos demais, entre outros motivos, porque seus professores passam muitas horas por ano dando aulas. Em média, professores colombianos gastam 1.200 horas nas salas de aula por ano. Isso representa 75% do tempo de trabalho.  Seus colegas na Coreia do Sul gastam menos da metade: 550, ou seja, menos de 40% do tempo de trabalho. A comparação é interessante, pois os sul-coreanos são conhecidos pela dedicação. No ano em que prestam o exame de admissão para a universidade, não é raro alunos sul-coreanos estudarem 12 horas ou mais por dia. Entre os países ricos do norte da Europa, professores gastam entre 40-50% do tempo de trabalho na sala de aula, algo que varia entre 600 e 800 horas ao ano. O relatório não oferece dados sobre o Brasil, mas a Lei Federal nº 11.738 (L2008) determina, entre outras coisas, que 1/3 do tempo de trabalho do professor seja dedicado à hora-atividade, ou seja, trabalhos de planejamento, correção de atividades, reuniões de sala, entre outros. Em muitos estados, a lei não é cumprida.

Cargos de direção e planos de carreira

No Brasil, 45% dos diretores de escola estão em seus cargos via indicação. Muitas vezes, essas indicações são políticas, e diretores em cargos indicados tendem a ter menor nível de escolaridade e menos tempo no cargo. Os dados foram tabulados pela Folha de São Paulo, com base em questionário aplicado pelo Ministério da Educação. Na pesquisa divulgada, afirma-se que não fica claro quem indica os diretores. Não há como saber, por exemplo, se os diretores têm experiência mínima em docência ou se a direção constitui uma etapa na carreira do profissional de educação. Além do mais, entre os secretários estaduais de educação, muitos não têm formação relacionada à educação ou experiência em sala de aula.

Facebooklinkedinyoutubeinstagram

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*